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    Atividade Mineradora: Desenvolvimento Econômico e Impactos Socioambientais

    Um dos desafios atualmente enfrentados pela sociedade é promover o crescimento econômico e desenvolvimento social atrelados à preservação do meio ambiente e a manutenção de modos de vida tradicionais. Refletir e problematizar essa relação são um dos principais objetivos dos estudos promovidos pela UGGI Educação Ambiental. Portanto, não poderíamos desconsiderar em nossos trabalhos abordar o maior desastre ambiental brasileiro, ocorrido em novembro de 2015 no distrito de Bento Rodrigues, município de Mariana – MG, gerado com o impacto causado pelo rompimento de duas barragens (Fundão e Santarém) que represavam rejeitos da atividade mineradora.

    Assim sendo, tomamos como exemplo este infeliz acontecimento e suas consequências para realizarmos um dos estudos mais complexos por nós planejados que tem como trajeto diferentes locais ao longo da Bacia do Rio Doce, localizados nos estados de Minas Gerais e Espirito Santo, que foram de modo particular atingidos pelo desastre.

     

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    O Estudo do meio aborda o importante papel que a atividade mineradora desde os finais do século XVII exerce no estado de Minas Gerais, uma vez que este possui um histórico de desenvolvimento econômico, social e político totalmente atrelado a essa atividade produtiva. A descoberta de ouro e de outras gemas pelos bandeirantes paulistas, nas rochas das encostas dos morros e ao longo dos leitos dos rios dá início a uma intensa exploração mineral.

    Com o passar do tempo e com o surgimento de novas técnicas de análise e de prospecção diversificou-se os tipos de minerais explorados. De tais minerais atualmente destaca-se a exploração das imensas jazidas de minério de ferro, fato este que confere a região a denominação de quadrilátero ferrífero e que justifica a existência de inúmeras empresas mineradoras explorando estes recursos naturais. Nestas conseguimos observar as etapas produtivas envolvidas em tal atividade e o grande impacto ambiental causada por ela.

    Recentemente um dos locais mais atingidos pelo impacto da atividade mineradora é o município de Mariana – MG, que desde sua fundação em 1711 e até hoje tem como principal característica econômica a quase dependência da atividade mineradora. Lá nos aproximaremos dos atores sociais diretamente envolvidos com o desastre em questão.

    Esta aproximação ocorrerá a partir de encontros com ex-moradores de Bento Rodrigues, com autoridades locais e técnicos de engenharia e de meio ambiente. O objetivo de tal atividade é evidenciar que o rompimento da barragem não impacta somente a natureza, e sim traz graves consequências sociais, atingindo e modificando a vida de milhares de pessoas. Dessa maneira, buscamos a sensibilização e a solidariedade através do contato com as famílias atingidas.

    Como a proposta é visitarmos diferentes locais atingidos pela lama de rejeitos, nos locomovemos até estes com o trem de passageiros da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). Durante parte do percurso ele acompanha as margens do Rio Doce passando por paisagens com vegetação típica de Mata Atlântica e de Cerrado até chegar ao litoral capixaba.

    O primeiro trecho percorrido será entre as estações de Rio Piracicaba à Aimorés. O municipio de Aimorés - MG é banhado pelo Rio Doce e sofre com a popuição de suas águas que alimentam a maior usina hidrelétrica do leste mineiro inaugurada no ano de 2006. Quando da construção da hidreletrica parte dos moradores do município e de outros visinhos sofreram um forte impacto social e ambiental, deixaram suas residencias e foram realocados devido ao alagamento de uma área de mata atlântica para a construção da barragem. Agora, novamente sofrem com o rompimento de uma outra barragem.

    Em Aimorés conheceremos o Instituto Terra, criado pelo fotografo Sebastião Salgado e por sua esposa Lélia Wanick Salgado com o objetivo de reconstituir a biodiversidade dos ecossistemas da Mata aAlântica, restaurando a vegetação e os recursos hídricos locais que foram devastados por atividades econômicas predatórias e pela construção do lago da hidrelétrica. Asssim, conheceremos uma iniciativa bem sucedida de recuperação do meio ambiente, prática que será importante se empregada na requalificação ambiental das áreas de mata nativa atingidas pela lama de rejeito de minério de ferro.

    Outra área diretamente atingida pelo desastre ambiental é a terra indígena do povo Krenák, situada no município de Resplendor- MG. Os Krenák são formados por cerca de 350 individuos que atualmente ocupam pequenas reservas conquistadas após muita disputa fundiária, localizadas nas margens do Rio Doce. Estes foram profundamente impactados uma vez que com a contaminação das águas do rio ficou impropria para o consumo, banho, pesca e práticas religiosas. O grupo reivindica a responsabilização das empresas envolvidas, a recuperação ambiental das áreas afetadas e o imediato fornecimento de água potável. Conhecer o território Krenák, seus moradores e lideranças permite compreender como, a partir da “morte do rio sagrado”, parte de seus costumes habituais de subsistência e crenças foram alterados, desarticulando profundamente suas práticas tradicionais de reprodução da vida.

    Voltando à Estrada de Ferro Vitória a Minas, percorremos o último trajeto do estudo, de Resplendor - MG nos dirigimos até Cariacica e seguimos até Vitória, ambas localizadas no Estado de Espirito Santo.

    O Projeto Tamar, localizado em Vitória é responsável em promover atividades de conservação da vida das tartarugas marinhas e em realizar trabalhos de educação ambiental ao longo do litoral brasileiro. Com a chegada da lama de rejeitos à foz do Rio Doce em Linhares – ES a praia de Regência e a Ilha de Trindade foram afetadas. Estes dois locais são justamente os principais pontos de desova de tartarugas marinhas no Brasil. A fim de evitar a morte destes animais a equipe do Projeto Tamar e voluntários abriram os ninhos e retiraram os ovos das áreas que seriam impactadas e os enterraram em outros pontos do cordão arenoso distantes muitos quilômetros da área atingida.

    Essa lama não impactou somente o ciclo reprodutivo das tartarugas e sim todo o ecossistema marinho regional, pois se espalhou ao contato com a água do oceano, atingindo cerca de 10 mil km² numa região conhecida como Giro de Vitória, importante celeiro de nutrientes para diferentes animais, prejudicando completamente a cadeia alimentar, assim, ameaçando toda vida marinha. Dessa maneira, através do Projeto tomarmos consciência da real dimensão do impacto ambiental causado e do esforço existente na tentativa de minimizá-lo.

    O município de Vitória capital do Espirito Santo, possui importante fonte de recursos econômicos advindos do maior complexo portuário do país, formado pelo Porto de Vitória e Porto de Tubarão. Este último foi projetado pela empresa mineradora Vale S.A. (antiga Companhia Vale do Rio Doce), inaugurado em 1966 e construído para atender as demandas que a empresa possuía para realizar exclusivamente a exportação de minério de ferro. Ao longo dos anos foi sendo ampliada sua capacidade de movimentação e embarque e a diversificação dos produtos movimentados.

    O Brasil é maior exportador de minério de ferro do mundo e é através deste porto que a maior parte do produto deixa o país, no último ano mais de 100 milhões de toneladas do produto foram embarcadas no porto.  Essa enorme movimentação comprova o poder de produção e econômico que a empresa Vale S. A. detém, uma vez que além de controlar todas as etapas produtivas ligadas a mineração em si controla a logística do escoamento do minério explorado por ela, já que possui tanto a estrada de ferro como o próprio porto que exporta sua produção.

     

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    Em tal roteiro especial, a UGGI Educação Ambiental argumenta sobre a existência da crescente intensificação da exportação de minério de ferro e o crescimento dos valores, nas cifras de bilhões de dólares, que atividade mineradora gera, produzindo enormes lucros às empresas. Compreendemos que essa intensificação da exportação ocorre porque amplia-se a exploração do produto, essa postura gera o acirramento de conflitos sociais e ambientais, desrespeitando os direitos da população atingida pelos empreendimentos mineradores, bem como impactando diretamente o meio ambiente. Portanto, propomos nesse estudo à reflexão cuidadosa que parte do seguinte questionamento: Como equacionar de modo equilibrado o desenvolvimento das forças produtivas e econômicas com o desenvolvimento social e a preservação do meio ambiente?

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