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    Da cidade do automóvel à mobilidade sustentável

    UGGI Educação Ambiental convida a reflexão sobre um dos maiores desafios enfrentados, nas últimas décadas, pelos moradores das metrópoles: A mobilidade urbana, ou em muitos casos à “imobilidade urbana”. Em São Paulo alguns locais da cidade, dependendo do horário e do dia da semana, tem a malha viária completamente congestionada por automóveis individuais.

    Em dezembro de 2015 a frota de veículos da cidade de são Paulo era de 8,1 milhões com uma população de 11,9 milhões de habitantes (IBGE, 2014). Assim, se levarmos em consideração estes dados e as projeções populacionais da Fundação Seade atualmente existem cerca de um carro para cada 2,03 habitantes e essa relação tende a baixar ainda mais.

    Assim, a tendência é aumentar o número de veículos em São Paulo, ampliando a lógica de produção do espaço urbano baseada pela racionalidade da mobilidade planejada para os deslocamentos realizados por esse tipo de veículo. A malha viária urbana (ruas, avenidas, viadutos, etc) foi e ainda é pensada para os carros e não para o transporte público ou para a circulação de bicicletas e de pedestres.

    Nas sociedades capitalistas persiste o imaginário de que possuir um automóvel garantiria distinção social. O carro se torna um símbolo de status, de poder. Logo quem tem um ou mais carros na garagem seria visto como “melhores” do que aqueles que não possuem nenhum. No entanto, chegamos num momento que existem mais carros circulando do que a cidade comporta e quando isso acontece a vida das pessoas é extremamente impactada.

    Opondo-se ao automóvel individual temos no transporte público uma alternativa. O número de passageiros transportado ultrapassa os 13 milhões de usuários por dia (média de 2015), sendo 5 milhões usam o ônibus municipais e cerca de 8 milhões usam o transporte sobre trilhos (Metrô, ViaQuatro e CPTM). Este número é maior levando em conta as viagens feitas pelos ônibus metropolitanos gerenciados pela EMTU que também circulam pela cidade.

    Esse elevado número de usuários contrasta com a pouca oferta e com a má qualidade do serviço, ou seja, contrata com a falta de maiores investimentos no transporte público. Dessa maneira, para as pessoas que não possuem veículo individual, sobretudo para a classe trabalhadora, o deslocar-se cotidiano é um desafio. Acordar cedo, caminhar até o ponto ou terminal de ônibus (lotado) ou até as estações de trem ou de metrô (lotadas) e seguir para outro ponto da cidade e ainda no final da jornada de trabalho ou de estudos retornar para casa nessas mesmas condições. Não é nada fácil!!!

    Como forma de tentativa de superação das condições da precariedade do transporte público a partir da mobilização popular surge alguns movimentos sociais que entendem a mobilidade urbana enquanto um direito essencial à realização da vida nas cidades. Estes têm como objetivo transformar o transporte público em um bem gratuito e de qualidade. O Movimento Passe Livre (MPL) é um dos grupos mais notórios em promover essa pauta política, eles organizam uma série de atividades em prol da conquista da universalização da gratuidade do transporte público de qualidade.

    Nos últimos anos uma nova polemica veio à tona quando pensamos a mobilidade urbana em são Paulo, a implantação das ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas e com estas o inicio da efetivação de uma mobilidade urbana mais sustentável. São Paulo possui 414,5 km de vias destinadas às bicicletas e desde 2014 quando começaram a ser implementadas se questionou os motivos da localização destas e o modo como foram construídas. Muito se reclamou de que estas foram mal planejadas, inseguras e que retiram espaços dos carros. Independente se estas críticas cabem ou não é inegável que com o surgimento destas se ampliou o numero de pessoas que passaram a circular pela cidade utilizando bicicletas como meio de transporte. Portanto contribuindo para uma maior sustentabilidade

    Nesse roteiro a UGGI Educação Ambiental através das visitas a Centro de controle de trafego da CET, ao Centro de Controle do Metro, do locomover-se de bicicleta pela cidade e do contato com movimentos sociais, reflete a partir da abordagem especifica sobre mobilidade urbana os modos particulares de como a vida acontece na cidade. Estudar este tema de maneira critica leva a percepção de que é urgente estabelecermos uma mudança de paradigma onde o transporte individual seja substituído por meios de transporte mais sustentáveis. Portanto, a mobilidade urbana se torna essencial e é um passo fundamental em direção à ampliação dos direitos sociais, e inclusive da efetivação do direto à cidade.

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