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    Comercio popular, identidade e consumo do espaço

    Para compreender a lógica da produção do consumo em São Paulo, A UGGI Educação Ambiental propõe um estudo no qual leva os estudantes a conhecerem alguns locais que evidenciam as particularidades e contradições que vivenciamos em nossa vida cotidiana. Viver numa grande metrópole regida sob a lógica de produção capitalista nos coloca no papel de consumidores. Consome-se de tudo, de artigos populares aos de luxo, passando pelo consumo de identidades e do próprio espaço urbano. Tudo se transforma em mercadoria.

    O consumo de bens materiais, carregados de toda simbologia, cumprem o papel não somente de marcar diferenças de gosto e de costumes. Além disso, quando visto de modo mais cuidadoso, revelam identidades particulares, que muitas vezes podem indicar o aprofundamento de distinções sociais e a reafirmação das diferentes classes sociais. Assim, espalhados pela cidade existem diferentes locais de consumo destinados para diferentes consumidores.

    Iniciamos nosso estudo focando o olhar sobre o considerado comercio popular. Esse ocorre em inúmeros locais da cidade, historicamente se destacam como centralidades a rua 25 de Março (Centro) a rua Oriente (Brás), tais localidades e seus arredores se configuram como os dois principais polos desse tipo de comercio em São Paulo. Lojas e os minúsculos box vendem roupas, acessórios, calçados, eletrônicos, eletrodomésticos, brinquedos, utilidades domésticas, entre tantos outros objetos. É interessante observar o que é comercializado, onde esses produtos são fabricados e a composição étnica dos trabalhadores de tais lojas. Estas são pessoas oriundas principalmente de países asiáticos (coreanos e chineses) e do oriente médio (Libaneses e Jordanianos).

    Do consumo popular passamos aos considerados artigos de luxo. Em nosso estudo temos como exemplo o comercio presente na Rua Oscar Freire e na Avenida Europa. O consumo de artigos de luxo é o que vem à tona na Oscar freire. Ao longo de algumas quadras o que chama atenção são as vitrines, sobretudo, as de lojas conceitos que lembram um desfile de moda, sendo estas referências ao mundo fashion. Ainda nos jardins, na Avenida Europa, encontramos a maior concentração de lojas de carros importados do Brasil. Nelas facilmente estão à venda as mais tradicionais e caras marcas de automóveis de luxo.

    Em uma sociedade onde todos são vistos como consumidores cria-se um mercado de consumo destinado quase que exclusivamente as diferentes identidades, sejam estas formadas a partir do estilo e estética ligados aos signos e símbolos juvenis ou étnicos. Esse é o caso dos consumidores de duas galerias comerciais localizadas no centro de São Paulo, popularmente conhecidas como:  Galeria do Rock e Galeria do Reggae. Os frequentadores da primeira são formados basicamente por jovens e muitos destes se inserem nos chamados grupos de sociabilidade juvenil de estilo (popularmente conhecido como tribos urbanas) ligados as inúmeras vertentes do universo do rock in roll. Já os frequentadores da segunda galeria têm no recorte étnico-racial de matriz africana o principal elemento identitário. Dessa maneira, os elementos da cultura afro-brasileira são ressaltados e colocados como modelos a serem reproduzidos enquanto mercadorias. Estes são dois belos exemplos onde a identidade se transforma, sendo vendida enquanto mais um produto a ser consumido.

    Um contraponto a esse comercio tradicional abordado até o momento são as Lojas Colaborativas. Essas lojas apresentam um novo conceito de se produzir e vender diferentes artigos, são montadas em estabelecimentos que alugam pequenos nichos para diferentes produtores independentes exporem e comercializarem suas peças. Nelas as compras funcionam como endosso, ou seja, as marcas que não atingem a meta de venda liberam espaços para novos vendedores. Portanto, quem seleciona o que vai ou não ser vendido são os próprios consumidores. Essa tendência aproximaria produtores e consumidores, dando maior poder de decisão a estes últimos.

    Portanto, o estudo elaborado pela UGGI Educação Ambiental propõe conhecer e estudar as dinâmicas socioespaciais ligadas a formação dos distintos locais onde o consumo acontece na cidade de São Paulo, levando em consideração as contradições existentes e formadas pela racionalidade da substituição do cidadão pelo consumidor. 

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