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    Bolivia

    A UGGI Educação Ambiental convida a desvendar os mistérios, riquezas culturais e paisagísticos de parte da Cordilheira dos Andes, localizados nos altiplanos bolivianos conhecidos como kollasuyo (porção centro-oeste da Bolívia onde as altitudes médias do relevo ultrapassam os 4 mil metros).

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    A Bolívia foi o berço de importantes civilizações pré-colombianas (período correspondente antes da chegada dos povos europeus nas américas) que possuíam conhecimento técnicos avançados ligados à agricultura, arquitetura, mineração, astronomia. Destacam-se as seguintes sociedades: os  Tiwanaku, os Wari, os Troxo, os Mollo, os Uru, os Aymara e o Império Inca (também chamados de Quechuas)

    A região dos altiplanos é intensamente povoada e onde se desenvolveu, no passado, uma importante economia baseada na exploração de imensas jazidas minerais, sobretudo de prata e ouro.

    O atual Estado Plurinacional da Bolívia possui marcas identitárias e culturais baseadas em fortes tradições indígenas. É o pais da América do Sul, sem dúvida alguma, em que as matrizes étnicas dos diferentes povos pré-colombianos são mais presentes na formação de sua sociedade. Contrastando com essa característica marcante, encontramos as contribuições culturais herdadas dos colonizadores espanhóis que lá chegaram no século XVI.  Portanto, o que notamos é o inegável choque cultural, onde, sob o objetivo de exploração dos recursos minerais, a coroa espanhola travou principalmente contra o Império Inca batalhas sangrentas, massacrando a população e desarticulando sua organização social tradicional.

    Então, pensar a identidade boliviana é considerar sua luta e resistência contra a violência do domínio colonial que perdurou por mais de 200 anos, culminando na independência em 1809 e na proclamação da república em 1825, instituída por Simón Bolívar, quando o novo estado passa a ser denominado Bolívia, em uma clara homenagem a seu libertador. Pensar a identidade boliviana é também considerar outro aspecto cultural de seu povo, aquele da formação de um modo de vida onde estratégias de aclimatação as fortes altitudes e as baixas temperaturas são garantias de sobrevivência.

    La paz é uma cidade chave para se conhecer a fim de compreender a formação dos principais sítios históricos e a composição das belíssimas paisagens do altiplano boliviano. A capital do país possui importantes construções e uma arquitetura típica que mescla a herança Inca e espanhola. Os espaços culturais em La Paz, como museus, centros culturais e praças se espalham por todo centro histórico, exemplo: Museo Nacional Etnográfico, o Museo litoral Bolivian ou o Museo de la Coca estes guardam não somente aspectos históricos, econômicos e políticos e sim preservam o patrimônio material e imaterial dos diferentes povos que compõem a formação da pluralidade da identidade nacional.

    Na área central da cidade encontramos inúmeras lojas de artesanato, ambulantes, mercados ao ar livre, restaurantes. La Calle Sagánarga exemplifica bem espaços, ela é uma tradicional rua de comércio popular onde nos deparamos com uma explosão de cores, sabores, cheiros e figuras típicas, como las cholas. Elas são mulheres de origem aimarás que se vestem com trajes característicos (vestidos, chalé colorido, blusas enfeitadas e um chapéu estilo coco cobrindo seus cabelos repartidos ao meio com suas longas tranças) sendo onipresentes em todo país, reproduzindo o orgulho da cultura indígena.

    Um dos locais fundamentais de se visitar para compreender como era a organização das sociedades tradicionais pré-colombianas é conhecer a cidade de Tiwanaku (na época maior do que aquelas que existiam em toda a Europa), um dos mais importantes sítios arqueológicos de toda a América do Sul. A origem dessa civilização é anterior à dos Incas, sua ascensão data o ano 200 d.c., e exerceram poder político e econômico por todo Andes por mais de mil anos. Os tiwanakotas influenciaram as demais sociedades do altiplano, dominavam técnicas têxteis, astronômicas, agrícolas e de metalurgia, etc.

    A partir das ruinas da área cerimonial de tal cidade e dos objetos, artefatos arqueológicos encontrados nela é possível voltar no tempo e perceber o poder e o grau de desenvolvimento atingido por essa civilização traduzidos em monumentalidade (Porta do Sol, o Templo de Kalasasaya, as pirâmides de Akhapana e Puma Punku)

     A expedição pelos altiplanos bolivianos não poderia deixar de lado explorar suas belíssimas paisagens, como El Chacaltaya, El Valle de La Luna e El Lago Titicaca.

    O Monte Chacaltaya emoldura La Paz, este é um imponente pico nevado que compõe a Cordilheira dos Andes com 5421 metros de altitude onde se situava a mais alta estação de esqui do mundo, atualmente desativada por motivos climáticos. A caminhada pelas trilhas que levam até o topo requer paciência e muito fôlego, no entanto, o cansaço devido ao ar rarefeito é compensado pela linda vista que se tem lá de cima. Aproveite, afinal estamos nos Andes!

    Já que estamos tão alto que tal uma ida à Lua? Pois é essa sensação que temos quando pisamos no Valle de La Luna, uma interessante sitio arqueológico composto por formações rochosas que se assemelham as paisagens lunares se estendendo por 3,5 km de extensão. Suas rochas, paredões e cânions são constantemente desgastadas e alteradas pela ação do intemperismo físico e químico e pelos demais agentes erosivos, assim, suas paisagens estão em constante transformação.

    Por fim, chegamos ao famoso lago Titicaca. Localizado no altiplano andino, na fronteira com o Peru, é maior lago da América do Sul em extensão e altitude, possui cerca de 8300 km² e situando-se a 3821 metros acima do nível do mar, sendo alimentado pelas águas de cinco grandes rios, das chuvas e pelo derretimento das geleiras da região. O lago possui 41 ilhas e algumas delas são densamente povoadas.

    Segundo a mitologia Inca o Titicaca seria o lugar de onde o deus Viracocha teria criado o sol, a lua, as estrelas e os primeiros seres humanos. Portanto, o lago é o berço da civilização Inca, que dominaram a região entre os séculos XII e XVI, quando se deu a invasão espanhola.

    Além de navegarmos em embarcações tradicionais e conhecermos algumas ilhas flutuantes construídas em junco pelo povo Uro, ao longo do Titicaca encontramos importantes sitíos arqueológicos como Copacabana, principal cidade boliviana nas margens do lago e La Isla del Sol. No sul desta ilha existe as ruínas Incas de Pilkokaina e as escadas de pedra de Yumani. Atravessado a ilha, na porção sul, chegamos a um labirinto de paredes de pedras conhecido por La Chincana,  e visitamos a Pedra Sagrada e a Tabela de Cerimônias.

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    O objetivo final deste estudo é aprofundar o entendimento não somente sobre a cultura do povo boliviano e sim percebermos o que existe de comum em todos os povos latino americanos. Portanto, a UGGI Educação Ambiental tem como horizonte romper com uma construção identitária colonial, impostas a nós por muitos séculos, e estabelecermos uma nova história. Onde identidades tradicionais e populares fossem valorizadas e, a partir destas, nossos olhares de latino americanos fossem ampliados. Dessa maneira, construiríamos nossas próprias narrativas internas, próximas daquilo que verdadeiramente somos e nos representa.

    As veias da América Latina já foram abertas há muito tempo e sangram, como bem representado por Eduardo Galeano, cabe a nós latino americanos buscarmos em nossas particularidades e alteridades não a diferença e sim o reconhecimento e a igualdade e, quem sabe, assim, não seria o primeiro passo para estancarmos toda essa sangria.

     

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